Lição 11 - João, os Sinais do Filho de Deus


Texto Áureo: "Este foi ter de noite com Jesus e disse-lhe: Rabi, bem sabemos que és mestre vindo de Deus, porque ninguém pode fazer esses sinais que tu fazes, se Deus não for com ele" - João 3.2
Texto Bíblico Básico: João 11.40-45; João 21.24,25

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Desde o prólogo 1:1-18 com seu grande clímax...”e vimos a Sua glória...” (v. 14), até à confissão final de Tomé: ...”Senhor meu e Deus meu!” (20:28), o leitor é constantemente impelindo a prostrar-se de joelhos em adoração. Jesus Cristo aparece como mais que um mero homem; de fato, mais do que um simples enviado sobrenatural ou enviado de Deus. Ele é o verdadeiro Deus que veio em carne. “E o Verbo se fez carne, e TABERNACULOU entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai”1:14. João repete este ensinamento em 1 Jo 1:1 a 2:11.
Os hebreus esperavam pelo seu Messias vindouro, entretanto (1:19-26), necessitavam de provas sobre a reivindicação de Jesus, de ser Ele o prometido Messias anunciado no Antigo Testamento. João apresenta essas provas. Oito sinais ou ações revelam não apenas o Seu poder, mas igualmente atestam a Sua glória como o Divino possuidor da graça redentora. Jesus é o grande “Eu Sou”, a única esperança de uma raça destituída de esperança. Em João, a glória de Jesus é manifestada através de Seus sinais (milagres e curas): “com estes deu Jesus princípio a seus sinais, em Cana da Galiléia; manifestando a Sua glória e os Seus discípulos creram nele”2:11. Muitos creram que Jesus era o Verbo de Deus por causa dos SINAIS que fazia; 2:23 - a palavra SINAISaparece 10 vezes no Evangelho de João.
Alguns milagres relatados no Evangelho de João:
1.      Água transformada em vinho sem palavra, em Cana da Galiléia;
2.      Comerciante e animais para sacrifícios expulsos do templo;
3.      O filho do nobre curado à distância;
4.      O paralítico curado, havia 38 anos, no sábado;
5.      As multiplicações de pães;
6.      Jesus a andar sobre a superfície da água;
7.      A vista restaurada ao cego de nascença;
8.      Lázaro chamado de volta de entre os mortos.
Todos esses milagres revelam Quem Jesus é e o que Ele fez. Progressivamente, João O retrata como fonte da nova vida, a água da vida e o pão da vida. Até os Seus próprios inimigos recuam e caem perante o “Eu Sou”, que se entregava voluntariamente ao sofrimento da cruz (18:5, 6).
João mostra a glória de Cristo com muita força e clareza. Ele fez milagres como nenhum havia feito desde que há mundo: Curou um cego de nascença, 9:32; ressuscitou Lázaro sendo este morto há quatro dias, 11:17, 25, 26 (enfatizando: "Eu sou a ressurreição e a vida"); andou por sobre o mar, 6:16-21. Todos estes sinais eram para provar que: "É necessário que façamos as obras daquele que me enviou, enquanto é dia; a noite vem, quando ninguém pode trabalhar", 9:4. João queria abrir nossos entendimentos para a verdade de que Jesus e o Pai são UM, por isso Ele fazia as mesmas obras do Pai; 5:36; 10:25, 38; 14:10-12 e 15:24.
Procurando salvar o homem do pecado e da condenação, e restaurá-lo à comunhão divina e à santidade, o Logos (Palavra) eterno fez deste mundo Sua habitação temporária (1:14). Trazendo a plenitude: “graça sobre graça”1:16, homens caídos se tornam qualificados para habitar em Deus (14:20). Por meio de Jesus Cristo, nós podemos receber a graça e a verdade.
Triunfa, finalmente, até mesmo sobre a morte e a sepultura, e deixa aos Seus seguidores um notável legado para dar prosseguimento à missão misericordiosa, sem igual na história.
Estendendo-se de eternidade a eternidade, o quarto Evangelho liga o destino tanto de judeus como dos gentios, como parte da criação inteira, à ressurreição do encarnado e crucificado VERBO de Deus.
SÍNTESE TEOLÓGICA

O conteúdo dos textos e os símbolos presentes no Evangelho de João permitem construir sua teologia a partir de dois temas: a criação e o êxodo. Estes temas se entrelaçam ao longo da obra nos permitindo entender o objetivo e a maneira com que Jesus realiza sua missão.


a) Tema da Criação: Este tema é a chave de interpretação da obra de Jesus. A sequência de dias que aparece no início do evangelho (1.19,29,35,43; 2.1) faz com que o anúncio e início da obra de Jesus ocorram no mesmo dia da criação do homem em Gênesis 1, o sexto dia. A razão e o resultado da obra de Jesus seriam, então, terminar a criação, o que culminou com sua morte na cruz. O "Está consumado!" (19.30), duplamente interpretado sob esta ótica, ocorre também no sexto dia, como recorda o autor com outras indicações (12.1: seis dias antes da Páscoa; 19.14,31,42: preparação da Páscoa). Com isso, toda a atividade de Jesus, até sua morte, fica sob o símbolo do "sexto dia", indicando o fim a que se destina: terminar a obra criadora, completando o homem com o Espírito de Deus (19.30; 20.22). 
A parte final do evangelho completa o tema da criação por se situar no "primeiro dia" (20.1), que indica o princípio e a novidade da criação terminada. 
Temas como "vida" e "luz", centrais no evangelho (1.4-9), assim como o do nascimento (1.13; 3.3-21), estão na linha da criação.



b) Tema do Êxodo: Traz vários de seus elementos: a presença da glória na Tenda do Encontro ou santuário (1.14; 2.19-21), o cordeiro (1.29), a Lei (3.1-21), a passagem do mar (6.1), o monte (6.3), o maná (6.31), a passagem do Jordão (10.40), etc. Este tema também está intimamente relacionado com o tema do Messias (1.17), que, como outro Moisés, tinha que realizar o êxodo definitivo e, por isso também, com o tema da realeza de Jesus (1.49; 6.15; 12.13-19; 18.33-19.22).  O "mundo", inimigo de Jesus e dos seus (15.18-16.4), de onde ele e o Pai tiram (15.19; 17.6), faz parte do tema do êxodo e adquire o sentido de terra de escravidão. 
A Páscoa, oportunidade para relembrar o êxodo, faz parte das seis festas que enquadram a atividade de Jesus. Delas, a primeira, a terceira e a última são a própria festa da Páscoa (2.13; 6.4; 11.55; 12.1). 
Destaca-se a insistência no número seis: sexto dia, sexta hora, seis dias antes da Páscoa, seis festas, seis talhas. Este número indica o incompleto, um preparatório, o período da atividade que visa a um resultado. O número sete aparece somente em uma ocasião, a sétima hora (4.52), e indica o fruto da obra completa: a vida que Jesus dá.


Relacionando os temas, podemos dizer que o desejo de Deus é terminar a criação do homem dando-lhe o princípio de vida que supera a morte (o Espírito); em fazer do "homem-carne" "homem-espírito" (3.6), o que exige a livre opção do homem (3.19). Contra o cumprimento deste desígnio existe o fato de o homem, enganado e submetido por forças do mal (1.5: as trevas; 8.23: o mundo/este mundo), ter renunciado à plenitude a que o projeto criador o destina. Daí a necessidade de um salvador (4.42), o Messias (1.17), que o permita sair da escravidão em que se encontra (1.29: o pecado do mundo), dando-lhe a capacidade de opção, e que acabe nele a obra criadora, batizando-o com Espírito Santo. 


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